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sábado, 14 de junho de 2014

Dramas iogurteiros

 Sábado de manhã, cedinho, ao fim de uma noite mal dormida e num dia de calor descomunal.
 Uma criatura arrasta-se ensonada pela casa, até à banheira. A larica instala-se e a criatura com pressa para amenizar os demónios estomacais vai ao frigorífico, pega um iogurte e arrasta-se mais uma vez até ao quarto, onde se vai preparar a rigor para mais uma entrevista da lista.
 Conhecem a tampinha de alumínio que por norma vem a selar, e bem, o liquido da garrafa, não é? A criatura também conhece, ou tinha esperança que sim. É então que retira a tampa de plástico da garrafa e assim que começa freneticamente a agitar o iogurte, uma nhanha espessa iogurteira dispara para todos os lados. Fosse cama, cómoda, televisão, chão, gatos, as calças formais imaculadas preparadas para a entrevista (que, por uma sorte descomunal, estavam do avesso e evitou-se então uma tragédia maior)... Tudo ao alcance da ira do iogurte cujo selo foi violado ficou condenado. E a criatura estúpida com tanto sono que a possuía ficou ali, impávida e serena a tentar perceber que tempestade por ali tinha passado.
 Só a mim!

("Pessoas queridas" que abrem os iogurtes nos supermercados, não os metam de volta na embalagem, plo amor da santa! Já uma vez trouxe um pack em que uma das garrafas tinha sido bebida. Hoje foi esta... Temo pela terceira vez!)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

As mini férias da Cleo.

 Desde terça feira passada que dei uma fugidinha das terras lisboetas e toca a rumar a Tondela, com o meu xuxu.
 Acontece que sempre que aqui a Cleo faz planos, calham sempre nas melhores alturas.

 Chegamos no dia em que o incêndio deflagrou e a partir daí todo o cenário belo da serra do Caramulo se tornou um inferno. As chamas eram enormes, o ar irrespirável e repleto de fumo, o vento arrastava para todo o lado cinzas e folhas negras ou ainda a arder que preencheram estradas, passeios, carros, varandas.
 As sirenes dos bombeiros tocavam noite, dia, madrugada, repetidamente. Garantidamente que conheci um pouco mais do inferno.
 Começaram a chegar bombeiros de todo o lado, de Queluz, da Amadora, do Porto, da Nazaré... Uma jovem acabou por perder a vida, outro ficou gravemente ferido, num fogo que ateimava em não cessar. Cruzava-me com alguns bombeiros na rua (estariam possivelmente a ter um pouco do mais que merecido descanso) e lá ouvi conversas em que alguns nem dormir durante o pouco tempo que tinham conseguiam. Muitas das viaturas já mostravam que a idade também lhes começava a pesar e aquelas pessoas com o pouco descanso e os equipamentos velhos lá subiam encosta mais uma vez, a arriscarem a própria vida pelas vidas dos outros. Se há pessoas que admiro são sem dúvida os bombeiros, pelo trabalho e dedicação deles e sinto uma profunda tristeza quando um deles se fere ou até mesmo perde a vida só para não deixarem civis em perigo.
 O Governo que temos devia de apoiar muito mais as corporações e as pessoas egoístas, que muitas vezes se queixam que os bombeiros se atrasam para as ajudar, deviam de pensar duas vezes antes de abrirem a boca. Tudo o que presenciei só serviu para aumentar ainda mais a consideração que tenho por este tipo de pessoas e que me fazem crer que neste país ainda temos muitos heróis.
 Felizmente o fogo por aqui já acabou e muitos dos bombeiros já foram embora também. Agora resta a imensa negrura na serra, repleta de cinzas.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Café, café, café.

 Todos nós amantes de cafeína iremos algum dia tomar o pior café das nossas vidas. É uma coisa já escrita e garantida no nosso livro do destino.
 Eu sou uma amante incondicional de café. Não dispenso o belo do galão pela manhã, o cafézinho depois do almocinho, a meio da tarde. Seja lá a altura que for, haja café, pela minha sanidade mental (que já não é muita, é certo)!
 Hoje realizou-se o grande evento da minha vida do pior café bebível de sempre. Depois de uma grande jantarada de sushi e barriguinha cheia, vai um cafézinho. Erro: tomá-lo no restaurante japonês.
 Imaginemos um pedacinho de carvão, dissolvido em água a ferver com um ligeiro toque de açúcar. Um aroma divino, pois, e para dar o aspecto fabuloso, a chávena cheia de borras de café. Imaginem agora as caretas que se fizeram naquela mesa quando degustamos o incrível sabor que tão cedo não iremos esquecer. É que nunca mais! Podem ser muito bons na arte do peixe cru, mas uma formação sobre cafés também não lhes faria mal nenhum.
 O que vale é que uma das alminhas da minha vida que jantava connosco conseguiu largar uma piada de "A tirar cafés destes não me admira que eles tenham todos os olhos em bico, tal não é o horror ao beber isto!".
 Se só deveríamos ser agraciados com bons cafés, deveríamos pois, mas no meio disto tudo haja sentido de humor para anestesiar tais horrores.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Um "deitar cá para fora", um desabafo estúpido...

Não sou pessoa de ter ódio a muita gente nem de desejar mal a ninguém, mas às vezes ainda me vem à memória o inferno que atravessei nas tuas mãos.
 O tempo cura tudo é o que dizem. Pode curar, não nego totalmente essa hipótese, mas garantidamente restam cicatrizes que nunca sararão. E são essas mesmas marcas que nos mudam e que nos passam também a definir como seres individuais, por mais ruim que a experiência tenha sido.
 Garantidamente que nunca mais acreditei fielmente nos sentimentos, palavras e acções de outros. Cada movimento brusco ou repentino eram o suficiente para me fazer reviver todo aquele inferno no interior da minha mente. Todas as más palavras, todas as ameaças, todo o sofrimento. Às vezes tudo isso volta, para me aterrorizar a mente e de toda a vez que me relembro das vezes em que me metias as mãos em cima, volto a tornar-me uma pessoa mais fria e vazia.
 Conscientemente isto é uma coisa que me irá perseguir para sempre, é um fantasma do qual não me conseguirei livrar nunca, mas por um lado agradeço-te por teres morto a criança ingénua e inocente que eu era e me teres ajudado a tornar em tudo o que sou. Uma mistura de gelo com fogo. Só espero nunca mais me cruzar contigo, seja em que encarnação for.
 Gostava de um dia abrir os olhos e que tudo isto não tivesse passado de um pesadelo... (Quase 5 anos se passaram. Parece que foi ontem. Como eu gostava de ter forças para superar...)